9 de jan de 2012

Apenas um sonho

 Dormindo com fantasmas ela está. Amedrontada. Em suas veias a adrenalina flui. Se agarra ao seu urso de pelúcia,pobre coitada acha que assim pode se proteger.
 Um grito. Silencio repentino. A menina se encontra no meio de seu quarto ajoelhada pedindo ajuda. Vultos dançam ao seu redor formando círculos. Círculos de fogo. A criança chora, mas uma voz repentina a faz parar. "não tenha medo garotinha, levante-se, junte-se há nós". Paralisada encontra-se ela, o medo é tanto que se é impossível de se mover. A voz mais uma vez a chama. Então ela resolve se juntar a eles, ver o que vai acontecer. Milena, esse era o nome da garota, sente um puxão em seu braço, algo gélido, e seco. Ela deixa-se levar.  Milena apesar de estar calada,não emitindo nenhum gemido parecendo corajosa, estava querendo voltar para seu quarto, para sua cama, para os braços de sua mãe. Tinha medo. Medo de não poder mais vê-lá, de não poder mais toca-lá e nem sentir teu cheiro. Seu medo era de não poder dormir e acordar. Seu medo era de dormir para sempre.
 Chegou finalmente a um vale,o vale das sombras. Lá só se podia ver agonia, raiva, tristeza e rancor. Suas pernas bambalearam,seu coração disparado,suor escorrendo frio, suas gargantas apertadas, faltava-lhe ar. Isso era apenas os sintomas do desespero.
 Uma sombra veio em sua direção, colocou as mãos em seu coração, e no instante seguinte ela se sentiu leve, e finalmente livre. Mas no momento em que ia cair em um grande buraco negro,  acordou. Tombou.Chorou.Gritou.
 Sim, fora apenas um pesadelo.
   

5 de jan de 2012

 A fé realmente ajuda uma pessoa?
 A menina estava curvada em sua cadeira. Não era difícil de ver: ela tinha sua própria fé.
 De certo momento aquela imagem não havia me chamado muito a atenção, mas ao decorrer do tempo fui percebendo sua devoção, sua ânsia por cura. Não, ela não fora alienada por uma religião. Pelo contrário, ela fez sua própria religião, sua própria crença.
 Era uma garota um tanto normal. Sua pele era clara, cabelos castanhos claros também. Seu olhos...há seus olhos quão sofrimento guardavam, quanta angustia, quanta dor...
 Ela estava acompanhando um senhor portador de uma deficiência mental. Era um senhor adorável! Como gostava de tirar fotos!!
 A garota tinha paciência e carinho por ele, era tamanho amor que nunca vi igual.
  Na hora da fraqueza ela se curvou, rezou,rezou e rezou. Acredito que nada se concretizou. Mas seus olhos logo, apos suas preces, não eram mais os mesmos.Eram realmente vivos, belos e cheios de brilho. Ao passar por mim,sorriu.
 A imagem dessa garota e de sua fé  permaneceram vivos em minha memória. Talvez seja pelo simples fato da minha fé ser fraca. Ou então por conhecer um verdadeiro amor ao próximo,coisa que o meu coração de pedra muitas vezes me impede de ter. Pode ser que seja então a sua demonstração de um sentimento puro e agoniado.
 Sim, era a agonia dela com a qual me identifiquei.