16 de abr de 2013

Ser,estar e continuar em uma realidade que não se deve desejar...

  Viver os momentos ninguém quer. Contar os segundos todos querem. Essa sociedade presa na seriedade de ser...ops... presas nas seriedade de SE locomover. Pois Ser é difícil de exercer.
 As avenidas congestionadas, as pessoas aglomeradas em uma calçada que tenta ser calçada e as pontes fechadas. O transporte ruim, as tarifas caras, e os cidadãos  pintados de babacas...
 A seriedade predominante. O sorriso de uma criança constante. O choro do amante. As promessas da cartomante...
 Duas coreias divididas, duas potencias unidas, uma guerra a explodir, duas nações prestes a se auto-destruir...
 Um ataque que ocorreu nas premissas de uma nacionalidade. Uma corrida rumo a uma crueldade. Consequência de uma rivalidade. Culpado: A nacionalidade.
 Presidente amado embalsamado. Tinha sonhos enrolados. Mas perante aos culpados era mal falado. Porém seus sonhos eram e são adorados.  Mas... embalsamado. O país encontra-se em um caos danado. Seu sucessor ganhador. Homofóbico, possível complicador.
 Minha nação em êxtase. Direitos humanos recebe pêsames. O mensalão sacode a rede. E a comida grita gooooollllll. Nas copas, cidadãos encurralados na parede. E  nós, para eles, fingimos sermos crentes que crê na relação do ser, na continuação do estar, e na filosofia do continuar...

29 de mar de 2013

25.

 Da janela, uma fresta de luz escapou, iluminando parcialmente o quarto mofado.
 A dor de cabeça era pungente, e seus olhos brilhavam com um olhar de descrentes...
 A ressaca de fato não fora pontual.

Ninguém pensava nos goles enquanto engoliam doses repetidas de tequila.
Ninguém pensou na presença do gosto amargo do dia seguinte.
Ninguém pensava nas palavras ditas, enfatizadas mentiras.
Ninguém reparou nos amantes inventados que fediam a tabaco.
Nos bêbados nojentos que se diziam animados,saciados
Os quais foram saciados com os seus 25 anos amontoados.

25 anos e todas as chuvas com suas gotas corridas
25 anos e todas as faces admiradas servidas
 25 anos em muitas camas dormidas.
 25 anos parte de uma vida corrida
 25 anos desperdiçados
25 anos desgraçados
25anos contados
25anos amados
25 narrados
25.

4 de mar de 2013

Uma questão de conjunto de dados sobre a posição e velocidade de um certo corpo

 Cansei das linhas mal traçadas, das retas tortas desenhadas que são movimentadas pela inércia maldita... Falo palavras bonitas, que alegram o mundo, que encantam pessoas, mas que não me dizem nada. Palavras cuspidas  em uma trajetória retilínea intersectada por dois pontos não-alvos, por variações de tempos irrelevantes, com sua variação de espaço abundante...
 Quero linhas novas, nunca traçadas. Frases nunca ditas, mas entendidas.  Quero colar imagens despedaçadas já vistas de sonhos. Uma artesã bem treinada, uma artista conquistada, uma folha apagada. Uma caneta cristal conectada ao papel que agora desenha suas linhas bem desenhadas, com retas bem traçadas, com as curvas mais abstratas, com a noite atordoada, e a cama mal dormida. Com a lua sorrindo a me convidar para ser  "aquela que quis, mas não fez, que quer e vai fazer. Hoje."   Com a minha trajetória progressiva retardada... A vida é curta, e acelerar só vai à encurtar mais... 

15 de fev de 2013

Apenas observações lembradas

 Da janela, localizada no sexto andar de um prédio antigo e fétido, observo-te andar desajeitado entre folhas que abrem caminho para os seus passos incertos, suas manias patéticas e seu lindo jeito de sorrir... A lembrança do seu toque. Do nosso toque. Os nossos corpos em choque. A nossa pequena escassez  . O riso abafado, o choro acanhado, e os lábios a sorrir.  Lembranças passadas necessárias e ordinárias. Acumuladas em um pequeno ser, que ainda guarda em si as cinzas espalhadas do seus erros e encantos, das suas preces e prantos, da fluidez do espanto ao observar-te assim...

8 de fev de 2013

"Já que ser vadia é ser livre, então sou uma vadia"

  Deixo a janela aberta para ver se chove aqui dentro também. Há coisas que precisam ser regadas, e principalmente observadas. Precisamos abrir os olhos para o mundo a fora. Deixar de olhar apenas para dentro.
 ...Cidadãos egípcios protestam contra uma ordem religiosa para assassinar oposicionistas. Na Tunísia, o povo quer uma nova revolução. No Brasil, como se é de costume, em fevereiro a festa rola a solta .  E eu aqui tentando, deliberadamente, fazer uma festa dentro de mim...
  Me esparramo na cama, escrevo palavras entrelaçadas com linhas de coisa alguma, que grita e esperneia. Linhas desprezíveis que apenas servem para abafar o grito que sufoca  e não deixa dormir. A sede de mudança aumenta gradativamente, enquanto a chuva diminui drasticamente, dando espaço a uma lua que sorri para os vagabundos que perambulam pelas ruas, despojados, atordoados e acomodados... Irônico isso! Por que não sorri para quem de fato não se oprimi? As estrelas parecem dançar entre si, assim como o grito que esta lutando, mas que aos poucos esta se sufocando aqui dentro. Dentro de mim...
... Em Nova Guiné uma mulher acusada de bruxaria é queimada viva...  E a festa rola a solta... E o grito sufocando, acusando, pensando e OBSERVANDO.... " Puta carregue as chagas do mundo/ aguente o fétido compromisso do imundo/ fere-te  a fundo/ noites de perversões/ moralidades,escusas e alucinações/ mil perdões..." Puta mostra a tua cara para o sociedade imunda que tanto tenta te calar!
Mostra-se para o mundo, seja puta e vadia, assim a sociedade um dia há de te olhar...


3 de fev de 2013

Sonhos libertos experimentados

 Ouvir o ruido estridente do radio do vizinho em momentos como aquele não se era apropriado, até porque a música tocada era inevitavelmente Comptine d'Un Autre Été. Ironicamente Yann Tiersen e o vizinho eram duas coisas que não se combinavam... A TV  ligada, a sala fria, e a fumaça que subia junto com seu o aroma de cólera, causavam uma impressão desgostada. Então, apenas fechou seus olhos e sonhou...
...Assim voou. Voou tão alto que mal conseguiu ver o chão, subiu e subiu até não mais poder descer, e riu como nunca rira, e viveu como nunca vivera. O desgosto da vida sumiu. E ela sabia. Sabia qual era a dança que a sua alma acompanhava. Suavemente e delicadamente. Com pensamentos que surgiam e se alimentavam um dos outros. Incompreendidamente, tragicamente, amavelmente. Que foram se encontrando em sua imaginação mutua, corriqueira e tardia demais para o acaso.
 E mesmo assim, discretamente sonhou, voou e viveu. Desceu assim que acordou. Sorriu, olhou, tragou e nunca se esqueceu, da vida liberta e voadora que experimentou e sonhou, que não mais desgostou...


 

28 de jan de 2013

E o Rio Grande do Sul chorou...

 Hoje todos pararam....
 Hoje? Não, ontem....
 Ontem, o mundo inteiro parou. Boa parte do Brasil, se abalou.
 Pais, amigos e conhecidos choraram, pelas lagrimas de fumaça cinza que o fogo soltou, soluçou e matou.
 Uma ganancia que trancou, proibiu, não se redimiu e acabou...
 Acabou com duzentos e quarenta e cinco vidas; afogadas sem ar pelas lagrimas cinzas; queimadas; acabadas; consumadas.
 Duzentos e quarenta e cinco pessoas que não viram o sol nascer do outro dia. Quatrocentos e noventa pais que choraram por duzentas e quarenta vidas inesperadamente acabadas. Centenas de amigos choraram a perda de duzentas e quarenta vidas infelizmente, e tragicamente perdidas.  E milhares choraram pelas lagrimas acinzentadas derramadas, que acabou com um local, que marcou uma cidade, que carimbou em um estado, e abalou um país... Uma fuga. O dinheiro primeiro. O tempo depois. E a vida acabou. Humanidade, não teve. Ganancia ganhou. Idiotice prevaleceu. Culpados, cade? Duzentos e quarenta e cinco vidas perdidas por falta de saída, por conta de ganancia, por uma ignorância...
E o Brasil parou, o rio grande do sul chorou, e duzentos e quarenta e cinco vidas não mais gerou, apenas descansou...  


22 de jan de 2013

E o nada continuaria sendo o nada

 Aquele fundo breu que tanto contemplo
 Um dia encontrei sua via
 de contra-tempos expostos
 de manias ridículas
 com olhares compostos
 que diziam ser suicidas
 E a vida, a vida já não seria mais vida.
 E o tempo já não seria mais tempo
 As palavras...
 as palavras terminariam em exemplos
 e a via, a via continuaria dividida...


18 de jan de 2013

Tempos remotos

 Gostava de observar-te desatento tomando sua dose diária de cafeina meio amarga. Colocava-me a  chegar de fininho e pronto: você colocava-se a pular de susto. E nós gargalhávamos juntos, sem preocupação. E você sussurrava encantadoramente que me amava, que adorou o fato de vivermos assim, aqui improvisados. Eu também adorei.
 Lembro-me de quando saíamos para um barzinho qualquer, na companhia de pessoas queridas. Chegávamos bêbados, caindo pelos corredores, rindo feito idiotas, e arrastados por estranhos. "Nunca, de fato, fomos música clássica. Mas sempre, sempre fomos jazz." Não tínhamos culpa. Só nós dois já era tanto!
 Com o tempo, tudo se esgotou... Acordava de manhã, dava-lhe um beijo na testa e apenas ouvia um " se cuida" automático.  Não és mais aquele cara bonito, nem de aparência desatenta e leve. Tu és que se esgotou, se machucou...

- Queres uma cerveja?

 Logo, você nem perguntava, já trazia duas. E eu aqui te perguntando. Hoje, olho-te ai sentado desgostado, sádico, fedendo a tabaco barato. Paraste de tocar, cantar. Nós? Nós já não dançamos mais nesta madeira barulhenta. Já não nos amamos intensamente a noite, já não gargalhamos,e nem bêbados juntos ficamos. Usa roupas demais, escuras demais. Sentado a frente, silencioso, indelicado. E seu rosto está desenhado em um tempo que ficou para trás...

14 de jan de 2013

 Cara, você sabe que a nossa doença é inapropriada, mas mesmo assim rimos dela. Até nossos risos são inapropriados! Onde fomos parar?  Atos cometidos imprudentemente pairando no meio de um sentimentalismo dolorido do momento. Cometemos a loucura de nos fazermos loucos. Mas nós gostamos disso... Engraçado, estou rindo imprudentemente de novo! Sei que apenas vivemos. E você sabe que ninguém teve a culpa. Porém essas estradas são cheias de caminhos absurdamente tentadores, então temos que tomar cuidado... Ah garoto, nós conseguimos asas que se fecham quando cansadas, e que se abrem ferozmente a noite toda, e ninguém... ninguém percebeu onde estão os nossos rastros de passagens...

10 de jan de 2013

  - Fala meu!-  Ele quase gritou.
  Ela o admirou, bateu os dedos na mesa e se levantou. Resolveu não responder, sua intuição indicava discussão a vista. Andou em meio ao mar de gente encontradas naquele pequeno botequim. A música ouvida era um blues... O dia cinzento, triste...necessariamente pedia-se um blues. E a noite ditava um ritmo próprio e ao mesmo tempo sádico para o momento... O tempo restante fora roubado, a música começara antes do momento certo. Aquilo era injusto! Aliás a história dos dois era injusta. O blues chegava no seu pico extremo, cada nota chorava,gritava e arranhava as frestas do tempo. Aquilo tudo acabou. Conhecidos estranhos. Contente.Mente. Importuna.Conduta. De ambos.

3 de jan de 2013

 Dia chuvoso, sensação tranquilizadora. Ela encontra-se no local onde deveria estar, onde deveria começar. Fez do céu a sua casa, das estrelas estradas. E assim ela foi... Olhou-o, gelou, suou frio, suas mãos tremiam. Não era. Apenas um sinal errado, um caminho mal trassado. E assim continuou... O tempo passou, a luta terminou, mais um cigarro tragou, a fumaça subiu, sua visão embasou. Vira mundo, roda gigante. Vira mundo eterno, constante. Vira mundo, vira,  vira incinerante. Vira mundo, vira instante.